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Minha casa, Meu Templo

Minha casa, Meu Templo

Quando penso no significado de um lar, não é só um ambiente pra proteção, tem que ter um clima agradável, antes de mais nada, onde moro é meu refúgio, meu templo.

Na verdade, acho que temos algumas casas. Primeiro é o nosso corpo, depois as roupas e depois onde moramos, e cada uma delas representa a nossa alma. E assim como a moda reflete a personalidade da pessoa, a casa também reflete.

E não usamos a mesma roupa o tempo todo, né?

Eu gosto de mudar minha casa, acho que ela se adapta às minhas transformações pessoais. Estamos sempre evoluindo e isso reflete em nossas escolhas, não acho que um imóvel deve ser imutável, ele deve seguir o fluxo da impermanência e se adaptar, como uma metáfora de nossas vidas.

Se eu ficar muito tempo olhando pra uma parede, pode saber que ela vai passar por uma mudança. Gosto de eu mesma fazer as coisas (as que dou conta, pois algumas preciso de ajuda, claro). Acho que o lugar onde moro é também é uma tela em branco, um grande projeto de arte em andamento e adoro mexer e remexer na decoração.

Um dia olhei pra uma estante que eu tinha e transformei em prateleiras, separei as partes, pendurei umas com cabo de aço no teto.

Outras fixei na parede que agora sustentam minha paixão por fotografia - algumas câmeras.

E ainda fiz uma moldura pra uma foto com outras partes. A ideia da sustentabilidade também me atrai, de reutilizar. Tem tanto material descartado e bom, pra que descartar se posso transformá-lo?!

Não tem limite para a criação.

Ando numa fase de conexão com plantas, mas moro num apartamento no centro de Curitiba/PR. Tenho vários vasos, mas queria trazer a natureza pra dentro de casa, então trouxe uns galhos de árvores  que agora fazem parte da casa, seja apoiado em prateleira, seja suspenso no teto, segurando minhas duas kokedamas, que não ficaram as melhores, mas me apeguei a elas. 

Vivo fazendo experimentos, se vejo algo que acho legal, já vou testar para ver se sei fazer.

É uma forma de me desafiar a aprender novas coisas, mantém minha curiosidade e criatividade aguçadas, o que faz bem pro meu trabalho também.

Aproveito também os restos de tinta de alguma reforma, dessa vez criei um desenho geométrico numa parede, fiz um esboço no computador e com fita crepe e paciência fui recriando de acordo com a estrutura.

Meus quadros também se espalham pela casa, como faço exposições, os quadros se acumulam, e acabo pendurando, então, às vezes minha casa parece mesmo um trabalho meu, tridimensional, é um universo pessoal, que representa minha arte e meu jeito.

Acho que as casas devem ser assim, ser a cara do dono, e que as pessoas se sintam bem dentro delas, ainda mais agora, neste momento que estamos vivendo, que estamos descobrindo como precisamos de um refúgio.

 

Todas as fotos aqui são da minha casa e foram feitas pelo Ricardo Cobu.

Atualmente estou passando por uma nova mudança e vendendo esse apartamento. Logo terei um novo lar, que terei o maior prazer em transformar no meu novo templo.

 

Movimento TOPVIEW
Charly Techio
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Fotógrafa e artista visual. Professora de Foto Arte. Supervisora do Curso de Fotografia do Centro Europeu. Trabalha com fotografia autoral há mais de quinze anos, com exposições em várias cidades do Brasil, Nova Iorque, Helsinque e Berlim.

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