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(Imaflora) promove debate sobre a importância da cadeia produtiva da madeira para os setores da arquitetura

(Imaflora) promove debate sobre a importância da cadeia produtiva da madeira para os setores da arquitetura

O evento virtual “Arquitetura do amanhã: projetando negócios sustentáveis” realizado em 11 de março 2021 e promovido pelo Imaflora, em parceria com o Núcleo da Madeira, AMATA, com o apoio dos escritórios Ipê Amarelo e Marchetti Bonetti+, trouxe ao debate sobre sustentabilidade aspectos que devem figurar quando o tema é o protagonismo da madeira nos projetos de arquitetura na sociedade contemporânea brasileira.  

Entre o time de debatedores do evento, que contou com a participação de figuraras de referência para a área, estavam o gerente florestal do Imaflora, Leonardo Sobral, o Presidente do Núcleo da Madeira, Marcelo Aflalo e a gerente de projetos e novos negócios da AMATA,  Ana Belizário.

“A matéria-prima é o elo principal desta cadeia que nasce e termina na floresta”, considerou Aflalo em sua análise de boas-vindas. A arquiteta Lua Nitsche, do escritório Nitsche Arquitetos, palestrante do primeiro painel, falou sobre a importância do ciclo sustentável da madeira. “Se o processo for bem calculado, uma árvore pode render muito mais”, revelou. Ela ainda comentou sobre um princípio base a ser considerado na arquitetura tropical. “Faz sentido termos uma construção sem desperdícios, ela não precisa ser eterna, se ela durar o suficiente para atender no máximo duas gerações de uma família já é válido. O olhar do futuro é o resgate de uma sabedoria ancestral. Temos que tocar a natureza de forma leve”, explicou a arquiteta sobre como podemos nos conectar à madeira e potencializar a nossa relação orgânica e natural com o meio ambiente. 

Durante o evento, também foram discutidos os estigmas e preconceitos vigentes no mercado que impedem que o uso da madeira seja tão competitivo quanto a indústria do aço ou do concreto. “Se ocorrer algum problema em obras executadas em madeira, não tem jeito, a culpa invariavelmente recai sobre o insumo. Não vejo isso acontecer com outras matérias-primas. Sempre digo que o projeto errado é sim o que deveria ser penalizado e não o material que faz parte da estrutura. Toda casa em madeira precisa ter uma base mineral (o que chamamos vulgarmente de galocha) para a fundação e uma capa (tampa de madeira) como um beiral ou outro tipo de estrutura que terá a função de proteger contra as intempéries da natureza”, contemplou Hélio Olga, da ITA Construtora, durante o segundo painel.

Quantos aos desafios, ainda existem uma série de mitos, como Ana Belizário recordou. “Teve um período de hibernação do mercado, as pessoas ainda têm muitas dúvidas e não se sentem seguras com o formato”. Para Aflalo, “a madeira representa tudo de positivo que existe neste momento, mas ainda carrega muitos estigmas”. Belizário completa, afirmando que “o Brasil tem um potencial gigantesco para o plantio de florestas. Não temos a tradição da madeira como potencial estrutural embora seja um material leve, eficiente e renovável”.

Outro ponto de vista debatido no evento diz respeito à tropicalização da madeira e como isso implica na compreensão do clima e do bioma regional para que se alcance uma boa performance do recurso. Para os palestrantes, não adianta importar soluções que funcionam nos países nórdicos e ignorar as condições climáticas locais. “Do ponto de vista da arquitetura, acho perigosa a importação das formas”, afirmou Lua.

As ponderações de Nicolaos Theodorakis, CEO da Noah,  sobre o uso da madeira engenheirada nas construções verticais encerram o debate: “ Quando passamos a construir com elementos diferentes, temos que repensar a mentalidade vigente. São vários desafios técnicos e de regras quando tratamos da verticalização, em madeira. Mas não dá para falar de futuro na construção civil sem mencionar o uso da madeira engenheirada, ela é a solução para muitos problemas causados nesta área. Fazemos um trabalho cultural, não há como desbravar o mercado sem quebrar barreiras ou mudar aspectos de legislação para a história avançar. Muito se fala sobre sustentabilidade na operação dos prédios, mas pouco se refere à construção em si. O setor é responsável por 49% das emissões de CO2 no planeta”, finalizou Nicolaos Theodorakis.

 

Link do debate: https://youtu.be/i3BE-CYPm2k

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